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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Insensato coração: uma reprodução dos desequilíbrios humanos


Imagem: google

Com o fim da última novela das nove da globo (Insensato coração), alguns comentários começaram a surgir a respeito do desfecho oferecido ao personagem Léo, vilão interpretado por Gabriel Braga Nunes. Enquanto uns defendem a idéia da necessidade de uma internação psiquiátrica, outros acham mais do que justo, um assassino, ser também assassinado. Faço-me vários questionamentos, pois a finalidade primeira das instituições penais, pelo que eu saiba, seria a de oferecer ao infrator, a possibilidade de “regeneração” e “adequação” às regras sociais.
De que forma então, estaria o nosso personagem regenerando-se ou sendo reinserido socialmente, após um espetáculo funesto, tendo internos e funcionários como cúmplices? Situação no mínimo incoerente. Fiquei muito surpresa com o desfecho da novela, e de início tive a impressão de que o assassinato havia sido cometido pelos agentes penitenciário, mas uma amiga advertiu-me de que um dos internos pagara para que alguns outros, também internos, dessem conta do “serviço”. Entretanto, mesmo tendo sido algo elaborado e executado pelos próprios internos, impossível seria essa execução ser feita fora do olhar inerente à situação penal. Os internos são vigiados o tempo todo, e com o formato das instituições do Estado do Rio de Janeiro, não o são com tanta freqüência apenas em suas celas. Digo isso para reafirmar a cumplicidade dos agentes no crime cometido. Alguns dizem: Ah... Menos uma quentinha que sai do me bolso, um colchão a menos pra eles queimarem e um bandido a menos com chance de voltar às ruas. Diante de frases assim, vêm em minha mente, fleches de quando punia-se em praça pública os crimes cometidos, do isolamento de tudo o que é feio ou nos incomoda (asilos, hospícios, e também as prisões), dos castigos aos negros escravos (considerados inferiores ao “homem branco”)... enfim, são muitos os “castigos”, as “punições”, as “vinganças” em nome do bem estar nosso, de nossa família, ou sociedade. Alguns podem chocar-se com a palavra “vingança”. Peço então que me expliquem o que seria o caso do Léo se não uma vingança... Não digo a vingança de uma pessoa que sentiu-se traída ou confrontada, mas a vingança da sociedade diante do feio, do criminoso, daquilo que nos incomoda. Definitivamente, um crime, não compensa outro, logo o assassinato de um assassino, torna-se um novo crime. E quem punirá o autor desse novo crime? Teremos de punir com as próprias mãos?



Mariana Rodrigues Ferreira

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