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segunda-feira, 17 de setembro de 2012

“Histórico das práticas de repressão: da disciplina ao controle”


Autora: Mariana Rodrigues Ferreira 
Monografia de conclusão de curso (graduação em psicologia) 
Instituição: Faculdades Integradas Maria Thereza 

Imagem: google

Preocupa-me o fato de que as formas de exercício de poder não foram extintas, porém mudam de acordo com o momento histórico e as necessidades sociais. Se em determinada época histórica punia-se um crime através de castigos físicos exibidos em praça pública, atualmente essas práticas já não são mais bem aceitas, e essa punição passa a ser mais sutil aos olhos da sociedade. E é essa sutileza o que mais me preocupa.
Da praça, os castigos passam a ser exercidos dentro de instituições. Não só os crimes, mas qualquer desvio passa então a ser punido dentro das prisões, hospícios, fábricas, escolas, etc. Os muros servem para separar o indivíduo desviante da sociedade, para melhor corrigir o corpo e a mente através de técnicas específicas. Não mais os suplícios, porém o exame técnico através de seu padrão de normalidade determina se o indivíduo está apto ou não a conviver socialmente. Novos dispositivos disciplinares são criados, e os muros institucionais já não são mais necessários ao exercício do poder. Através de políticas que pretendem o controle da criminalidade, como o “Tolerância Zero”, legitima-se o exercício do poder contra as classes marginalizadas da sociedade, favorecendo assim a segregação e o controle das classes sociais. 
O exercício do poder, entretanto, gera reações a quem está sob o seu controle; reações estas que surgem através de sintomas ou de práticas de contra poder. Desta forma, reconhecemos que o fator social do sintoma não pode passar despercebido ao psicólogo, devendo ser trabalhado no sentido da abertura de novas possibilidades de escolhas ao indivíduo. Esse trabalho permite uma reflexão quanto aos efeitos de minha atuação, observando que em alguns momentos acabo sim por reproduzir o controle em minhas práticas diárias. Dessa forma, percebo a importância da reflexão quanto as nossas intervenções, bem como a necessidade do constante aperfeiçoamento profissional.

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