Mariana Rodrigues Ferreira - 2008
Relação analítica:
O verdadeiro analista não produz em seu paciente algo que é próprio de sua individualidade.
A relação analítica é composta por três elementos: paciente + analista + linguagem. A relação analítica não deve ser estabelecida na dualidade simbiótica, onde prevalece o imaginário, mas a partir de uma instância terceira, onde a lei é estabelecida. A lei existe para que eu a reconheça e me submeta a ela.
A importância da linguagem encontra-se no fato de ser pré-condição para chegarmos ao inconsciente.
A psicanálise nos ensina a deter-nos com as palavras, o que geralmente não ocorre em nosso dia-a dia.
Fantasia:
A clínica psicanalítica é centrada em torno da fantasia. A psicanálise opera então em cima da fantasia.
A psicanálise lida com a história do sujeito, é poder retomar, reestruturar fatos, traumas, situações, dando-lhes uma nova significação.
Em uma análise, não importa se o que o paciente narra é verdade, o importante é a grandeza do que é narrado. Independente de ter ocorrido ou não no mundo real, faz parte da realidade psíquica do sujeito.
Os sujeitos neuróticos proliferam fantasias.
Na clínica psicanalítica tradicional, é o sintoma que leva o sujeito a procurar ajuda analítica. Descobre-se então por trás do sintoma, uma fantasia subjacente a ele.
Sintoma = tudo aquilo que provoca sofrimento no sujeito
Dentro de um hospital, é muito importante que o paciente possa falar sobre os pensamentos que o preocupam, sobre as fantasias criadas referente à própria morte.
Cabe por tanto, ao psicólogo permitir que essa fala surja.
Lidando com a morte:
Os profissionais da área de saúde costumam enfrentar a morte de um paciente de forma a abafar seus sentimentos de dor. Como conseqüência, são taxados de insensíveis ao sofrimento alheio.
Com o intuito de evitar o próprio sofrimento, muitos médicos mantém um distanciamento dos pacientes em estado terminal.
A morte de um paciente suscita vários sentimentos no médico, como sensação de impotência diante da morte do outro e da própria morte, já que diante da morte do outro o sujeito se dá conta da própria finitude.
Uma outra questão difícil de ser enfrentada pelo médico é a de ter que informar ao paciente em estado grave a sua condição orgânica, pois ao realizar tal tarefa estará diante da expressão do sofrimento de quem sabe que irá morrer. A realidade é que o médico não sabe lidar com demonstrações de dor e sofrimento, principalmente daquelas advindas da consciência da própria morte.
Faz-se necessário ao psicólogo não absorver a falta de esperança que, por vezes assombra os outros profissionais de saúde e que tanto influencia no cuidado com o paciente.
Iatrogenia:
Mattos e Rocha utilizam-se do termo iatrogenia, referindo-se à negligência médica que causa um agravamento no estado dos pacientes, podendo levá-los à morte. Mostram que o desinvestimento do médico pode ter conseqüências irreversíveis e que esse paciente não pode ser abandonado apenas aos cuidados da enfermagem.
O que acontece dentro de um Hospital Geral da rede pública de saúde? Falta de recursos ou desvalorização do humano? Qual seria então a causa da precariedade dos atendimentos?
O trabalho do estagiário de psicologia no Hospital Geral:
Dentro do Hospital, o estagiário de psicologia deve ser alguém que traz o paciente à realidade, o faz ser olhado pela equipe médica, de enfermagem,...
A escuta do discurso do paciente é tão importante quanto a investigação de como esse paciente é visto e se faz presente para a equipe médica.
Muitas vezes o estagiário de psicologia tem de correr atrás dos direitos do paciente na instituição, como banho, alimentação, medicação,...
O psicólogo não trabalha com a cura orgânica, mas deve auxiliar o enfermo a enfrentar a sua dor psíquica, que é ampliada pelo fato de se estar doente. Esse profissional deve estar disposto a construir um tipo de atuação diferenciada do discurso médico, que privilegia o orgânico em detrimento do psíquico. Deve então, trabalhar no sentido de possibilitar o surgimento de uma demanda e de um discurso que auxilie o sujeito a lidar melhor com o seu sofrimento. Discurso este produzido pelo próprio paciente.
A notícia da iminência da morte de um paciente não deve ser fator que impossibilite a atuação profissional na área da saúde. O trabalho do psicólogo deve possibilitar algum ganho ao paciente, que já vem sofrendo tantas perdas como, a sua saúde, sua liberdade, seu amigos,... O paciente precisa ser respeitado pela equipe de saúde, na qual insere-se o psicólogo. O paciente sem perspectivas precisa ter ao menos uma morte digna, com o máximo de aceio possível e o mínimo de dor.
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